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14.7.12

O que acontece na praia fica na praia - part I


 Para ouvir: Tempestade - Marcelo Jeneci

Arrumar as malas nunca é legal.Não é e pronto.Não importa se você ta indo pro melhor lugar do universo, arrumar a mala é sempre um saco.
Praia nesse final de semana de chuva, sério mesmo? Sério.Me arrastaram pra essa viagem e aqui estou, fazendo as malas, que pela quantidade de roupa que tem aqui parece mais que eu vou pro pólo norte do que pra praia.E eu que só queria ficar em casa pensando no lindo do trabalho.
O celular toca e é a Marcela pela 17° vez perguntando se eu vou mesmo.Vou mulher, já disse que vou.Só fumar um cigarro e dar um jeito nisso que eu chamo de cabelo e to indo.
O Guto insistiu para eu ir com ele, mas preferi ir com meu carro.Caso chova muito, posso vir pra casa a hora que bem entender.Ou se o lindo do trabalho me ligar chamando pra fazer alguma coisa (não, ele nunca fez isso,mas custa sonhar?) eu posso voltar pra cidade também.A estrada colaborou, não tinha transito.Acho que ninguém quis se arriscar a ir pra praia com esse tempo cinza.Eles não tem os amigos que eu tenho.Sortudos.
Não foi difícil achar a casa onde ficaríamos,uma casa legal não muito longe da praia.Quando cheguei Marcela e o atual quase-namorado (o qual eu não lembro o nome e nunca vou lembrar na minha vida) estavam tirando as malas do carro.
A propósito, eu sou a Ana.Só pra você não ficar perdido com os nomes (já que eu não sou muito boa com isso).
- Eu e o  (insira aqui um nome difícil de lembrar) vamos ficar com a suíte no final do corredor Ana.Escolhe um quarto pra você.
- Cadê o resto do pessoal? Por favor não me diga que ninguém vêm e eu vou ficar segurando vela pra vocês todos esses dias.
- Vem sim. Devem estar chegando.Todo mundo ta vindo com o Guto.Aproveita que chegou primeiro e pega a ultima suíte.
Tratei de aproveitar a dica, e entrei no quarto indicado.Era um quarto muito bonito, com as paredes em verde claro, uma cama grande bem arrumada.Os móveis de madeira escura pareciam ser bem antigos.Em cima da cômoda em frente à cama tinha uma televisão que parecia estar funcionando direitinho, o que era bom, porque se o tempo continuasse do jeito que estava , não ia rolar praia de jeito nenhum.O quarto tinha uma janela com vista para os fundos da casa, e dava pra ver uma piscina e algumas redes.
Coloquei todas as mil blusas que eu fui obrigada a levar nas gavetas da cômoda, coloquei os livros (sobrevivência né) em uma prateleira meio empoeirada, todos os cremes e tudo mais no banheiro e pronto, estava bem acomodada.
Sai pra procurar algo para comer e Marcela estava se pegando fortemente no sofá com o (insira aqui um nome qualquer de algum cara). Fiquei um pouco com vergonha e pigarreei, ai eles se soltaram.Ai eu percebi que eles se soltaram porque o (?) foi atender o celular.
- Se eu ver vocês virando uma pessoa só de novo no sofá eu juro que me enforco com o chuveirinho do banheiro.
- Ta bem humorada hoje né?
-E quando não estou? – eu ri - tem alguma coisa pra comer aqui?
- Nós trouxemos algumas coisas, estão na geladeira. Mas vem cá, aproveita que o Gabriel não está e me conta do cara lá que você ta fim.
- (Gabriel. Ok Ana, não esqueça esse nome) Não vai dar em nada não.
- E como você sabe?
- Eu sinto. Sei lá. A gente se fala bastante até, mas não sinto nada da parte dele.
- Entendo. Triste.
-Pra mim principalmente.
- Mais pra ele - sorri - Quem era no telefone? – ela pergunta com um tom um pouco histérico na voz quando o Gabriel volta. Aproveitei para ir na cozinha comer alguma coisa,já que senti cheiro de DR.
- Aquele amigo que eu chamei. Ele ligou para pegar o endereço certo.
Opa. Amigo. Não citou namorada. Opa.
- Ah... Ele vem sozinho?
Isso Marcela, por isso te amo.
- Aham.
Opa.
- ANAAAAA VEM AQUI.
Adoro amigas sutis.
- Quem morreu?
- Sua bad pelo carinha lá. Tem um amigo do Gabriel vindo pra cá.Solteiro.
- Marcela, você falando assim parece que eu to desesperada e não é bem... Ele é gato?
- Nunca o vi. Ele é gato Gabriel?
- Porque você pergunta isso pra mim? O cara é gente boa.
- Gente boa a Marcela também é e nem por isso eu quero pega-la. Como ele é Gabriel (parabéns por tê-lo chamado pelo nome Ana)?
- Ah meu, não vou ficar descrevendo macho! Daqui a pouco ele ta ai e vocês vêem.
Nós fizemos cara de 'okay' e eu voltei para cozinha pra continuar a comer alguma coisa. Depois de um tempo ouço o barulho de um carro, e olhando pela janela percebo que é o carro do Guto.O resto do pessoal chegou, e eu respiro aliviada.A tensão sexual daquela casa estava tão grande que dava pra cortar com uma faca.
O Guto é o primeiro a entrar, com uma mala discreta.Comprimenta todo mundo, me dá um beijo no rosto e um abraço apertado.
- Eu fico em qual quarto Marcela?
-Em qualquer um – ela fala e volta a beijar aquele que eu já esqueci o nome.
- Vem cá Guto, eu te mostro os quartos.
- Hum ... vou ficar no seu? – ele provoca.
- mimimimimi – eu sorrio.
Logo atrás do Guto entram Julia, Marina+namorado (que adivinha quem não lembra o nome) e Beto.A turma de sempre.Todos se acomodam nos quartos restantes. Depois de todos acomodados, e com o tempo ameaçando chuva, decidimos ficar no quintal da casa conversando e tocando violão.O ar estava quente, típico mormaço de praia.O Beto aparece com uma mala cheia de bebidas e distribui em cima de uma mesa perto da piscina.
Lá pelas tantas, com Marcela e o Gabriel sumidos a umas boas 2 horas (que nós percebemos), com Marina e Vitor (lembrei o nome) já brigados (pela 4° vez, desde que eu comecei a contar hoje), e a "dupla dinâmica pavor dos karaokês" Beto e Julia matando todas as músicas possíveis na rodinha de violão, Guto chega meio bêbado e me puxa de canto.
- Ana, você ainda me deve uma coisa.
- O que? – eu digo um pouco tonta com o bafo de pinga – o que eu te devo homem de Deus?
- Quando a gente era criança, uma vez você me disse que quando fossemos adultos, a gente ainda ia se beijar.
* Hiatos para contar a história: Eu e o Guto crêssemos juntos. E quando eu era mais nova, era completamente apaixonada por ele.E ai, um dia eu soltei essa perola, na esperança dele falar ‘porque a gente não se beija agora?”e esse ser meu primeiro beijo e ai ele perceber que me amava e a gente ia namorar e casar e ter filhos. Mas ele era mais velho que eu, popular na escola, e eu era só a amiga vizinha de óculos que os pais gostavam. Quando disse isso pra ele, ele simplesmente riu e disse ‘pode até ser’ e me deu um soquinho no ombro. Não ria, ele vez isso mesmo.E não foi engraçado na hora.
Agora, depois que crescemos e que eu não sinto mais nada por ele, não uso mais óculos e estou bem menos feia do que era naquela época, sempre que ele está um pouco bêbado vem me cobrar essa história. Seria engraçado, se não fosse patético.

- Guto, isso faz muito tempo.
- E daí?
- E daí que não faz mais sentido.
- Porque não Ana? Pensa: eu te conheço desde criança. Você é linda.Eu sou lindo.O que custa a gente se pegar? Vai ser legal Aninha, vem cá vem...
- ANAAAAAAAAAA!
GRAÇAS A JESUS MARIA JOSÉ MARCELA, TE AMO PRA SEMPRE.
- A Marcela ta me chamando, tenho que ir.
-Tá, eu te espero voltar ta? Não demora.
Eu consigo me soltar das garras da mala bêbada que o Guto se transforma quando bebe e vou até a Marcela, que por algum motivo, está com a blusa do avesso e um tanto quanto descabelada.
- Ma, sua blusa ta do avesso.
Ela fica vermelha.
- Não, ela é assim mesmo, mas enfim, o amigo do Gabriel chegou. GATO hein? Vai lá mostrar a casa pra ele. Seja anfitriã.
- Mas a casa nem é minha.
- Mas você chegou cedo e já conhece aqui. E ele é gato e você ta solteira.
- Julinha também ta.
-Mas esse é teu Ana.Vai lá menina.Lembre-se do que você me falou a respeito do Gabriel...
- “A sorte é preciso tirar pra ter”.Beleza, vou receber o bonito.
- Vai la garota.O Gabriel ta ajudando ele a tirar as coisas do carro.

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